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MARTINISMO
 
 
Martinismo é uma corrente iniciática e escola de pensamento místico-filosófico, derivado dos ensinamentos e escritos de Martinez de Pasqually e de Louis Claude de Saint-Martin, relacionado com o cristianismo esotérico e a mística judaica. É também relacionado com um rito da maçonaria, o RER - Rito Escocês Retificado, já que o criador do RER - Jean Baptiste de Willermoz - era discípulo de Martinez de Pasqually e amigo de Louis Claude de Saint-Martin.

 
Martinez de Pasqually Louis Claude de Saint-Martin Jean Baptiste de Willermoz
 
              
 
Jacques de Livron Joachin de la Tour de la Casa Martinez de Pasqually (Grenoble, França, 1727 - Santo Domingo, 1779) foi um maçom francês. Seu pai tinha uma patente emitida pelo Rei Charles Stuart, do Reino Unido, na data de 20 de maio de 1738, outorgando-lhe o cargo de Grão-Mestre Delegado, com autoridade para levantar templos para o Grande Arquiteto do Universo, e para transmitir a Carta Patente a seu filho mais velho. A patente e os poderes foram transmitidos depois de sua morte a seu filho Martinez de Pasqually que contava então com a idade de 28 anos.
 
Escreveu o livroTratado da Reintegração dos Seres, onde comenta o Pentateuco.
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Foi fundador de uma ordem não maçônica, mas composta exclusivamente por maçons, a
 
"Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen do Universo”
 
Ordem dos Cavaleiros Maçons,
Sacerdotes Eleitos do Universo.

 
Esta Ordem complementava os tradicionais três graus maçônicos (Aprendiz, Companheiro e Mestre), com um sistema de Altos Graus.
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De todas as ordens maçônicas iluministas que afloraram em França, durante o século XVIII, nenhuma outra se compara com o movimento de Martinez de Pasqually. A Ordem dos Elus Cohen se dividia em três classes:

Primeira Classe: Continha os três graus da Maçonaria Simbólica Aprendiz, Companheiro e Mestre e mais um quarto grau de Grande Eleito  ou  Mestre Particular.

Segunda Classe: compreendia os chamados Graus do Pórtico ou Átrio de Aprendiz-Elus CohenCompanheiro-Elus Cohen e Mestre-Elus Cohen.

Terceira Classe: continha os Graus de Templo de Grande Mestre Elus Cohen,  Cavaleiro do Este ou Grande Arquiteto e Comandante do Este ou Grande Eleito de Zorobabel.

Além deste, existia um grau secreto: o de Reau-Croix (Rosa-Cruz), que não deve confundir-se com o grau Rosa Cruz, que apareceria mais tarde na Maçonaria. Neste grau, o iniciado se colocava em contato com os planos espirituais além do físico, através de invocações mágicas e práticas teúrgicas.

A base do trabalho iniciático da Ordem Iniciática dos Elus-Cohen era a reintegração do homem mediante a prática teúrgica. Essa Teurgia, em última instância, apoiava-se no relacionamento do homem com as hierarquias angélicas, única via, segundo Pasqually, para sua reconciliação com a Divindade.

 
 
OBS: O tema da queda e reintegração do homem não é exclusivo da tradição judaico-cristã, estando contido nas diferentes correntes religiosas da humanidade, com diferentes enredos simbólicos, porém com o mesmo significado essencial.
 
Na tradição grega, a queda aconteceu após Prometeu roubar o fogo dos deuses para dar aos homens, o que desencadeou a ira e a vingança de Zeus.
 
Na tradição egípcia, a queda ocorreu após Seth assassinar Osíris e assumir o trono do Egito, iniciando um reinado de crueldade e corrupção, até que Osíris fosse ressuscitado por Ísis e Seth, vencido em uma batalha por Hórus, que restaura a harmonia de Maat.
 
Hórus (representado pelo falcão solar ou pelo disco solar alado) simboliza a consciência superior e sua capacidade de reintegração com a fonte da luz ( Ra ).
 
Todos esses relatos míticos e alegóricos têm o mesmo significado: a queda do homem de seu centro essencial e o afastamento da conexão com a fonte divina do Ser.
 
 
 
 
OBS: Teurgia
 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
A palavra Teurgia é grega e provém de theoi, "Deuses", e ergon, "obra", significando não somente "Obra Divina", mas também "Obra de Deus" ou "produzindo a obra dos deuses", e foi utilizada em contraste com a teologia, que meramente discutia sobre os deuses, e com a teoria, a pura contemplação filosófica e intuitiva promovida por Plotino.
 
Em seu conceito literal, Teurgia caracteriza um tipo de magia, em que a produção de fenômenos estava subordinada aos movimentos de expansão da consciência, sendo uma conseqüência indireta das ações da consciência. Por ser um conceito excessivamente sutil, passou para o vernáculo de forma simplificada, como a prática mágica que envolve comunicações com os anjos e os espíritos planetários.
 
Busca a perfeita comunhão com Deus, obtida através de técnicas cerimoniais como rituais, preces, exercícios e estudos.
 
 
 
O Martinismo, contudo, não é uma extensão da Ordem dos Elus-Cohen, e com o falecimento de Pasqually, em 1774, seus ensinamentos tomaram caminhos distintos. Dois discípulos de Pasqually sobressaíram-se e impuseram orientações esotéricas específicas para o pensamento original de seu Mestre: Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824) e Louis-Claude de Saint-Martin (1743-1803) conhecido sob o Nome Iniciático de Phil … Inc … (PHILOSOPHE INCONNU) ou em português “O Filósofo Desconhecido”.

       É dito que Louis-Claude de Saint-Martin renunciou à Teurgia - senda externa - em proveito da senda interna – a chamada Via Cardíaca. Considerava a Teurgia perigosa e temerária, arriscada a invocação angelical quando operada pela via externa. O caminho era o interior. Saint-Martin desejava entrar no coração da Divindade e fazer a Divindade entrar em seu coração.
 
 
OBS:   Há basicamente duas vias místicas, a via do coração ou cardíaca, e a via operativa.
 
A via do coração – ou cardíaca - é a via Cristã desenvolvida através das orações, da meditação e da contemplação.
 
A via operativa ou teúrgica desenvolve-se através da chamada magia cerimonial.
 

A iniciação transmitida por Saint-Martin perpetuou-se até o final do século XIX. Mas não foi ele próprio o fundador de uma associação com o nome de Ordem Martinista. Havia, entretanto, uma Sociedade dos Íntimos (Círculo Íntimo) formada de discípulos que recebiam a iniciação diretamente de L.C. de Saint-Martin.  Em muitos casos eram pessoas da burguesia ou da nobreza, tendo inclusive seus ensinamentos chegados á Rússia dos Czares. 

Saint Martin escreveu várias obras assinando-as como “Filósofo Desconhecido”. São livros bases para aqueles que buscam o entendimento Martinista:

Ecce Homo - Dos Erros e da Verdade ou Os Homens Convocados ao Princípio Universal da Ciência -  Quadro Natural das Relações entre Deus, o Homem e o Universo - O Homem de desejo - O Novo Homem - O Espírito das Coisas - O Ministério do Homem-Espírito - Cartas póstumas. 

 

 
        
 "Dos Erros e da Verdade":
A tese desse livro é a de que pelo conhecimento de sua própria natureza o homem pode alcançar o conhecimento do seu Criador e de toda a criação, bem como as leis fundamentais do Universo, das quais encontra reflexo na lei feita pelo homem. Sob essa luz foi mostrada a importância do livre-arbítrio;

"Tábua Natural das Relações que existem entre Deus, o Homem e a Natureza":
O homem teria sido privado de suas aptidões e seus meios superiores por ter mergulhado na matéria tão profundamente que nisso perdeu a consciência de sua natureza original, que tinha antes da queda e que era um reflexo da imagem de Deus. Com essa queda o homem ter-se-ia afastado do quadro de seus próprios direitos e deixaria de ser um elo entre Deus e a natureza.;

"O Homem de Desejo":
Nessa obra vemos a influência da doutrina de Jacob Boehme (filósofo Alemão. Essa obra lembra um dos salmos que exprime o ardor da alma para com Deus e deplora a alma do homem, seus erros e pecados, sua cegueira e sua ingratidão. Nessa obra, Saint-Martin viu a possibilidade de um retorno do homem a seu estado primitivo. Mas esse retorno só seria possível com o abandono da vida do pecado e seguindo os ensinamentos do Redentor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que desceu das alturas de Seu trono celestial por amor a toda humanidade;

"Ecce Homo":
Saint-Martin adverte para o perigo de se buscar a excitação das emoções das experiências mágicas de baixo nível, das premonições, dos diversos fenômenos que não passam de expressões de estado psico-físicos anormal do ser humano.

"O Novo Homem":
Nesse livro é tratado o pensamento como um órgão de renascimento que permite penetrar no mais profundo do ser humano e descobrir a verdade eterna de sua natureza. A alma do homem é um pensamento de Deus.

"Do Espírito das Coisas": 
Nesse livro o autor declara que o homem, criado à semelhança de Deus, pode penetrar no seio do Ser que está oculto por toda a Criação e que, graças a sua clara visão interior, ele é capaz de ver e reconhecer as verdades de Deus depositadas na Natureza.  A luz interior é um reflexo que ilumina as formas;

"O Ministério do Homem Espírito": 
Aqui o Filósofo Desconhecido completa todas as indicações precedentes, apresentando um objetivo que não é diferente, qual seja, o da ascensão de uma alta montanha. O homem escala impelido por uma necessidade interior e no antegozo da vitória, que traz a liberdade após tribulações e sofrimentos. É a volta do filho pródigo ao Pai, sempre cheia de caridade e perdão. Isso é alcançar a unidade perfeita com Ele: "O Pai e eu somos um";

"Dos Números":
Trata-se de uma obra inacabada, mas contém muitas indicações importantes que não poderiam ser encontradas em outra parte. Ele analisou os números de um ponto de vista metafísico e místico. Nos números encontrou uma confirmação da queda e do renascimento do homem;

"O Crocodilo":
Descreve, através de um poema épico de 102 cantos, a maneira como o mal se insinua nas coisas sagradas e com perfídia ele destila seu veneno para destruir aqueles que são cegos e insensíveis. Mas o mal dispõe de um tempo limitado e pode ser facilmente reconhecido por sinais discerníveis; não pode iludir aqueles que têm a visão da consciência, que observa, e são cavalheiros de nobres desígnios;

"Nova Revelação":
Saint-Martin trata nessa obra do livre-arbítrio. O homem pode alcançar toda a verdade pelo conhecimento de sua própria natureza mediante todas as aptidões que ele tem: físicas, intelectuais e espirituais. Deve compreender profundamente a ligação que existe entre sua consciência e seu livre-arbítrio;
Nas obras póstumas do Filósofo Desconhecido foram publicados certos escritos curtos de sua autoria, dentre os quais são destaques: Pensamentos Escolhidos, numerosos fragmentos éticos e filosóficos, poesias incluindo "O Cemitério de Amboise", "Estrofe Sobre a Origem e o Destino do Homem", além de meditações e preces.

Louis-Claude de Saint-Martin era um cavalheiro empenhado na busca da luz
Foi reconhecido como um dos maiores místicos da França, mas a obra de sua vida não se limitou às coisas que escreveu. Toda a sua existência foi dedicada à ideia de um grande renascimento da humanidade e ele desencadeou um eco profundo, não somente na França mas também no Oeste e no Leste da Europa.

No final do século XIX, dois homens eram os depositários desse conhecimento e dessa iniciação, transmitida de pessoa à pessoa desde Saint Martin : Gérard Encausse e Pierre-Augustin Chaboseau.

Foram esses dois homens, Gérard Encausse, mais conhecido como PAPUS, e Augustin Chaboseau que, em 1888, decidiram transmitir a Iniciação de que eram depositários a alguns buscadores da verdade e fundaram a ORDEM MARTINISTA. É a partir dessa época que se pode efetivamente falar em uma Ordem Martinista.

 
Augustin Chaboseau Gérard Encausse,
mais conhecido como 
PAPUS.
 
A Ordem Martinista de Papus foi criada nos moldes da maçonaria francesa, já que tanto Papus como Chaboseau eram Mestres Maçons. Foi criado um conselho supremo, também composto por mestres maçons e sua estrutura era baseada em 3 graus, semelhantes ao Aprendiz, Companheiro e Mestre, porém com outros nomes: 

Associado, Iniciado e S.I. (Superior Incógnito);

Havia, para algumas pessoas a outorga de um quarto grau - ou título - de Livre Iniciador (S.I.I.) que permitiria a este irmão criar sua própria ramificação da Ordem Martinista, com ou outro nome que escolhesse e funcionando de maneira independente.

Entre alguns ensinamentos desta ordem estão:

 
Os símbolos místicos - A natureza tríplice do homem (corpo, mente e alma) - O estudo esotérico do Gênesis - O livre-arbítrio e o destino - A lei quaternária - Reconciliação e reintegração - Os mundos visível e invisível - Os sonhos e a iniciação - A ciência dos números - A prece - Os ciclos da humanidade - A civilização e o Estado ideal - Arte, música e linguagem - A regeneração mística - O mundo elementar - O mundo dos Orbes - O mundo do Empíreo – Cabala Cristã.

Após a morte de Papus (em 1916) a Ordem Martinista se ramifica, com os membros de seu conselho supremo original fundando outras ordens inciáticas ou outros ramos do Martinismo, baseado no fato de que eram Livres Iniciadores.

Hoje em dia há dezenas de Ordens Martinistas, oriundas direta ou indiretamente da Ordem Martinista fundada por Papus.


 



 
Texto adaptado de Trabalho escrito pelo Irmão, da Loja, Ricardo Uchôa.

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